segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Xerox de livro

Normalmente, sou defensora das leis, mas neste texto quero manifestar meu descontentamento diante da lei 9610/98, a qual proíbe a cópia de obras literárias. Eu entendo e apóio a valorização do direito autoral de seu criador diante de sua obra, mas o que questiono é a acessibilidade do conteúdo para o público e, principalmente, para os centros educacionais.
Como profissional de comunicação e especialista na área de educação, não posso concordar com esta postura. Vivemos em um país no qual um livro custa e custa muito. Conseguir chegar a uma universidade é motivo de vitória para o brasileiro. Muitas vezes, o sacrifício para freqüentar uma graduação ou pós-graduação exige um investimento que vai quase além das forças de uma família. Entre transporte, mensalidade ou moradia, o gasto é imenso. Imagine ter que comprar todos os livros recomendados para leitura?
Mais do que dificuldade financeira em pagar pelos livros é o acesso a eles. Muitos são raros, ou existem uma ou duas unidades por biblioteca. Como ficam as pesquisas e os estudos se não podemos compartilhar o conhecimento que está em poucos exemplares? E as pessoas que não possuem vínculo com instituições e precisam ler os livros só nas bibliotecas, não podendo levar para casa?
Eu me questiono sobre o real objetivo de quem escreve porque a idéia não é disseminar conhecimento, fazer os outros pensarem no que o autor está propondo? Então a lógica não seria facilitar o acesso e não dificultá-lo? De que adianta valorizar tanto as bibliotecas virtuais se não podemos ter acesso ao que está ao nosso alcance?
Vou ser muito sincera... Tenho xerox de livros que sonho um dia ter o original. Claro que ler um livro ‘de verdade’ é tudo de bom, mas quando não temos como ter acesso a ele, é incrível o quanto uma cópia ajuda!

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